O Evangelho tem o poder de aproximar as pessoas uma das outras. A vida no mundo sem Cristo é de egoísmo, desconfiança, crueldade, violências, ofensas e enganos. A vida dos cristãos, entretanto, deve ser de verdadeira união fraternal, e nem poderia entender vida crista a não ser assim. A verdade, entretanto,, é que ainda há muita carnalidade, na vida dos cristãos, que se manifesta pela falta de fraternidade. Constantemente, surgem, na igreja, nas assembleias, nas convenções, nos concílios, nos presbitérios, etc... dissenções, porfias, contendas, ofensas, e agravos. Estas coisas são uma evidência de que é preciso haver, por parte de cada cristão, um esfôrço sincero, no sentido de crescer em seu convívio com seus irmãos, alcançando amor, paz, compreensão e paciência.
- Desavença: Filipenses 4
1 Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos, minha alegria e coroa, sim, amados, permanecei, deste modo, firmes no Senhor.
2 Rogo a Evódia e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor.
3 A ti, fiel companheiro de jugo, também peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram comigo no evangelho, também com Clemente e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida.
A igreja de Filipos estava ameaçada por dois perigos:
1) O dos hereges que tentavam induzir os cristãos à licenciosidade (Fl 4:1).
2) O da desavença entre os irmãos. Evódia e Síntique, duas cooperadoras do Apóstolo Paulo, estavam em desavença. Provavelmente, elas eram duas daquelas mulheres que se reuniam às margens do rio para orar, a quem o Apóstolo Paulo falara de Cristo, há dez anos. Cresceram no serviço cristão e desentenderam-se por motivos que não conhecemos. Tal desavença já era do domínio público, daí o Apóstolo Paulo ter tratado do assunto publicamente.
O Apóstolo Paulo apelou às duas senhoras que aferissem seus sentimentos por Jesus. Se Síntique acertasse sua vida com Jesus, e Evódia fizesse o mesmo, as duas voltariam a ter bom relacionamento. A má relação entre dois cristãos é sempre resultado de má relação de ambos com Jesus. Quando contemplamos dois cristãos que estão em desavença, podemos garantir que ambos estão em desarmonia com Cristo.
Além de apelar às duas senhoras, o Apóstolo Paulo recomendou a uma terceira pessoa que as ajudasse a se entenderem. Essa pessoa foi chamada de 'verdadeiro companheiro'. Quem era?
1) Poderia ser Epafrodito, portador da carta. O Apóstolo Paulo teria interrompido o ditado da carta, e, voltando-se para o auxiliar, fizera-lhe recomendação. O copista, então, teria incluído, na mensagem, aquela nota pessoal.
2) A expressão traduzida por 'meu fiel camarada', ou 'companheiro de trabalho' poderia ser um nome próprio com esse sentido. Assim, o Apóstolo Paulo estaria se dirigindo a um cristão influente na Igreja, de nome Sigígio, pedindo-lhe que ajudasse as duas senhoras. Seja como for, está claro que deve haver, na igreja, os de ânimo pronto para ajudar os que se desentendem a voltarem à paz e harmonia.
- Três atitudes de compreensão: Filipenses 4
4 Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.
5 Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.
6 Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.
7. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.
Esses versículos mostram-nos três atitudes que são frutos da compreensão cristã, a saber:
1) Alegria - Tais são as maravilhas que Deus operou em nós e para nós, que o cristão deve regozijar-se sempre, isto é, em qualquer circunstância. O apóstolo Paulo bem que podia dar esse conselho, porque, quando escreveu, estava preso na cidade de Roma. Assim, embora preso, estava cheio de regozijo. O pensamento é que se estivermos compreendendo as bênção da vida cristã, não haverá, em nossos corações margens de malequerença, mesmo que estejamos debaixo da perseguição, da doença ou da pobreza. Corações azedos são os que facilmente entram em desavença.
2) Equidade - O sentido exato da palavra traduzida por equidade é 'doce razoabilidade'. Traz a ideia de equilíbrio, de espírito criterioso e razoável daquele que, ao invés de exasperar-se, precipitar-se e incompatibilizar-se, está sempre pronto a ser razoável, compreensivo, criterioso. Quando essa característica dominar a todos os membros da Igreja as dissensões desaparecerão.
3) Tranquilidade - O Apóstolo Paulo não queria que os cristãos vivessem inquietos e nervosos, sob pressão das perseguições e das dificuldades. Queria que se lembrassem de Deus e o buscassem em oração.
Quando o cristão tem essas três qualidades de vida é que alcança a paz de Deus. Quer dizer que o cristão recebe da própria paz que Deus tem por ser perfeito. Ela nos é comunicada e os cristãos passam a viver tranquilos e seguros, e em perfeita harmonia com os outros '[JESUS] Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.(João 14:27)'.
- Troca de roupa: Colossenses 3
12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.
13 Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;
14 acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.
15 Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos.
Exortando os colosssenses a buscarem a santidade e o amor fraternal, o Apóstolo Paulo usou, como ilustração, a troca de roupa. Deviam despir-se da velha roupa das obras da carne, a saber: ira, cólera, malícia, maledicência, palavras torpes, mentiras, etc. 'Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos (Cl 3:8,9)' - tudo o que pode gerar desavenças e inimizades - e, em lugar dessa roupagem do velho homem, deveriam vestir a roupa nova, dos sentimentos contrários aos da carne, conforme Cl 3:12: 'Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade'.
2) Somos eleitos de Deus e santos, isto é, separados para Deus e amados de Deus. Essa posição exige que tenhamos as mesmas qualidades que adornam o caráter de nosso Pai.
3) Jesus nos deu exemplo de perdão. Lembrando-nos do que já fomos, e que fomos perdoados, como poderemos, ainda, ser incompreensíveis, queixosos e murmuradores?
Finalização:
-Somos a família de Deus. O mundo olha para nós na esperança de ver amor, sinceridade e respeito. Estará vendo? Temos contribuído para isso?
-A união fraternal na Igreja depende da atuação de cada cristão. Comece cada um a respeitar e a amar a seu irmão, a medir suas palavras, etc, e haverá paz.
-O progresso de uma Igreja dependerá da fraternidade. Como pode haver progresso onde não há concórdia? Como pode o Espírito Santo de Deus operar onde não há união?
-Por mais eminente que seja um líder, se for um provocador de tristezas e irritações ainda é carnal. Essas 'brigas', essas 'polêmicas azedas' de Igreja, assembléia, concílio, convenção, presbitério, etc... não passam de carnalidade.
-Procure aplicar a regra áurea para garantir-se de que está procedendo bem para com os irmãos. Coloque-se no lugar dele, e veja como gostaria de ser tratado. Trate-o, então, dessa maneira.
-'E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos.(Gl 6:9)'. Ofereço sobre este versículo, o comentário do Dr. W. C. Taylor: 'A espiritualidade não é obra de um dia. É a seara de uma vida. A inconstância impossibilita a espiritualidade. Não nos desanimemos em fazer o bem. Perseverai, se quiserdes ser espirituais. Buscai sempre oportunidade de fazer o que é bom a todas as pessoas, sem desfalecer. A espiritualidade não é um êxtase ou fanatismo egoísta, é fazer o que é bom aos outros'.