Pelo que leio na Internet, Roberto Brum é mais um dos Atletas de Cristo de que o futebol brasileiro no momento é tão rico. Rico de fé, pobre de dinheiro.A constatação faz-me lembrar uma coluna que escrevi em 2005 para outro órgão de imprensa, depois do triunfo do Brasil na Copa das Confederações disputada na Alemanha. Lúcio e Kaká lideraram uma prece coletiva no meio do campo, com camisetas que diziam “I belong to Jesus”.Lembrei-me também que os dois já haviam feito manifestação semelhante depois da vitória do Brasil na Copa do Mundo de 2002. E Lúcio comportara-se da mesma forma ao comemorar um título na Liga dos Campeões da Europa.Agora, na Copa dos Confederações de 2009, eu estava na Europa. Primeiro, na Inglaterra, onde vi pela televisão os jogos Brasil x Itália e Estados Unidos x Egito.Depois, fui para a França. Lá não achei nos canais de televisão disponíveis nos hotéis nenhum que exibisse a Copa das Confederações. Falavam apenas dos resultados.Mas, de volta aos Estados Unidos, tomo conhecimento de que as mesmas manifestações de fé cristã se seguiram na África do Sul à vitória do Brasil na final contra os Estados Unidos.Acho apropriado perguntar porque a CBF não desencoraja a prática.Não se trata, de minha parte, de uma tentativa de impugnação da fé. Ter fé é algo positivo que, no mais das vezes, enriquece a vida das pessoas e as torna melhores. Mas a Seleção Brasileira representa… o Brasil, país em que há separação entre Estado e religiões. A Seleção Brasileira não pertence a nenhuma seita ou crença em particular. Ela é de católicos, evangélicos, zoroastrianos, mórmons, judeus, espíritas, muçulmanos, budistas, xintoístas, testemunhas de jeová, umbandistas, cientólogos, cristiano-cientistas, pentecostalistas, animistas e, meus caros patrícios, até de ateus.Os evangélicos da Seleção querem disseminar a palavra de Cristo, de acordo com a injunção do Novo Testamento. É um direito que lhes assiste, mas não quando vestem uma camisa que é a imagem de um país inteiro.Ao terminar esta coluna, ouço no rádio, pela BBC, a notícia de que o campeonato argentino foi adiado, porque os clubes estão endividados e não têm como funcionar. O presidente da AFA, o eterno cartola Julio Grondona, culpa… os europeus. Diz que os europeus não têm mais comprado jogadores argentinos e assim não é possível sobreviver.Ora, os clubes brasileiros também vivem no momento da venda de jogadores. Será que o Brasileirão será suspenso? E nossos cartolas vão dizer que a culpa é dos europeus, os malvados vêm comprando menos brasileiros do que deveriam?Aí está algo que deveria merecer uma oração ecumênica de todos os jogadores da combalida América do Sul. Uma intervenção divina que nos livrasse, em escala continental, de cartolas tão incompetentes.Até os ateus diriam amém.