O TRONO DE DEUS E O LIVRO SELADO
Texto Bíblico: Leia Apocalipse capítulos quatro e cinco
Nos capítulos 4 e 5 de Apocalipse é que começa a narrativa da ação do drama a se desenrolar, que haveria de mostrar aos crentes o desenvolvimento do conflito com Deus e sua vitória final.
No capítulo 4 encontra-se a visão das coisas que são, isto é, da grande realidade eterna que é Deus, reinando como único e verdadeiro Soberano, cheio de poder, santidade, sabedoria, majestade e glória.
No capítulo 5 encontra-se a visão do livro selado com sete selos, contendo a revelação do destino dos seres humanos e a consumação dos desígnios de Deus, que só Jesus pôde desvendar. Para que a revelação dos destinos dos seres humanos fosse entendida era preciso que primeiro duas verdades da mais profunda significação teológica fossem estabelecidas, a saber:
1) Acima do tempo e da História, está o Deus eterno, santo, poderoso, soberano, a dirigir o universo;
2) Só Jesus pode revelar adequadamente o futuro e interpretar a História porque é ele o realizador da obra da redenção.
A VISÃO DO TRONO DE DEUS
O Apóstolo João foi levado por Jesus, em espírito, ao céu, para que pudesse ter a visão da eternidade e, dessa forma, antecipando-se ao tempo, visse os acontecimentos que desenrolariam na História. Somente quando se tem a compreensão adequada de Deus é que se pode interpretar a História. Sem a perspectiva da eternidade, ela não passaria de uma simples sucessão interminável de fatos cegos e sem objetivo final.
O Apóstolo João viu no céu as coisas que são, isto é, as realidades eternas: O céu, o trono de Deus e a vida celestial. Não descreveu Deus, porque ele é espírito. O Apóstolo João não viu uma forma física no trono, mas o resplendor da Glória de Deus, que ele comparou às pedras jaspe e sardônica. A primeira é como o cristal e a segunda, vermelha faiscante, 'e ambas simbolizam a glória da manifestação de Deus'.
Ao redor do trono o Apóstolo João viu um arco semelhante à esmeralda (Apocalipse 4:3,4). Trata-se do arco do pacto feito com Noé (Gênesis 9:12-17), e simboliza a esperança. Ele identifica Deus como o Deus do passado, das antigas promessas, do presente e do futuro, o Deus que não se esquece de seus pactos, que os mantém e que cumprirá suas promessas. Deus era, é e há de vir (Apocalipse 4:8). Isto é, Deus é eterno e intervém na História em todos os tempos.
A Apóstolo João viu também em 24 tronos, 24 anciãos (Apocalipse 4:4) que adoravam a Deus (Apocalipse 4:10,11). Suas vestes brancas simbolizam sua justiça, e suas coroas, a realeza. Eles estavam reinando com Cristo. Esses anciãos representam a totalidade dos remidos das duas grandes fases do plano de redenção de Deus, a saber, os do Velho Testamento, representados pelos doze patriarcas e os do Novo Testamento representados pelos doze apóstolos. No Evangelho de Mateus 19:28 Jesus promete aos apóstolos que eles sentariam em tronos.
Do trono de Deus saiam relâmpagos e trovões e diante dele ardiam sete tochas. Os relâmpagos e trovões simbolizam o grande poder de Deus sobre toda a natureza e as sete tochas simbolizam a perfeição de Deus como Espírito, ou seja, o Espírito Santo, cuja função é iluminar os seres humanos e lhes revelar as realidades divinas.
O mar de vidro (Apocalipse 4:6) é símbolo da transcendência da santidade de Deus. Ninguém poderia se aproximar dele em seu estado natural de pecaminosidade. Esse mar, em visão futura, desaparecerá, mostrando a vitória de Cristo em aproximar-nos de Deus pela regeneração, para termos com ele perfeita comunhão.
Ao redor do trono, além dos 24 anciãos, o Apóstolo João viu também quatro seres semelhantes ao leão, ao bezerro, ao homem e à águia. Esses quatro animais devem ser os mesmos vistos por Ezequiel (Ezequiel 1:5-25) e por Isaías (Isaías 6:2), ou seja, os querubins e serafins. Essa visão revela que tanto os redimidos como os seres angelicais tomarão parte no permanente louvor e adoração ao Deus eterno, único e verdadeiro soberano do Universo. Esse grande e glorioso quadro tornava ridícula a pretensão do imperador Domiciano de ser adorado como se fosse Deus, faria os crentes exultarem e os fortaleceria para jamais se curvarem diante do imperador.
A VISÃO DO LIVRO SELADO COM SETE SELOS
O livro que o Apóstolo João viu representa a História do conflito com Deus até o cumprimento final dos seus desígnios e inauguração da nova ordem de vida. Era um rolo de pergaminho escrito dos dois lados, o que significa que era uma longa mensagem, e selado com sete selos, dando a idéia de estar hermeticamente fechado. Cada selo representa uma das fases do desenvolvimento do conflito. Cada um deles, quando aberto, mostrará uma cena do conflito. O Apóstolo João chorou porque ninguém era digno de abrir o livro. Era natural sua tristeza, porque no livro estavam os segredos dos destinos dos seres humanos e o Apóstolo João precisava conhecê-los para consolar o seu povo duramente perseguido. O fato de tudo estar escrito ensina-nos que os acontecimentos já estão determinados por Deus e que tudo terminará conforme ele planejou e prometeu.
Ninguém podia abrir os selos. Isso significa que nenhum ser, nem humano, nem angelical, tem capacidade de prever e interpretar os segredos da História, que estão nas mãos de Deus.
Um dos anciãos consolou o Apóstolo João dizendo que alguém poderia abrir o livro, a saber, o Leão de Judá (Hebreus 7:14 e Gênesis 49:8-10). E quando o Apóstolo João olhou, viu um cordeiro. Ambas as figuras identificam Jesus cristo, o único capaz de revelar e explicar o futuro porque é o Autor da obra da redenção. No leão e no cordeiro está a síntese da personalidade de Jesus, combinando as duas naturezas: a força e majestade de um leão e a humildade, mansidão e submissão de um cordeiro.
Quando Jesus pegou o livro para o interpretar, os seres angelicais e os anciãos o glorificaram por ter comprado com seu sangue seres humanos de todas as nações e povos e tribos e línguas para Deus. É a realização dessa obra que lhe dá o direito e a capacidade de desvendar todos os lances do conflito do qual ele sairá vitorioso com seu povo. Na visão do trono Deus foi exaltado por ser o Criador. Nessa, do livro, Jesus é exaltado por ser o Redentor.
O cordeiro tem sete chifres e sete olhos. Os chifres simbolizam seu grande poder para salvar. Os sete olhos são o Espírito Santo com quem Jesus realizou seu ministério e por meio de quem mantém sua presença vigilante no meio de seus discípulos, através dos séculos em toda a terra.
Concluindo
Os acontecimentos do mundo, quando olhados sem a compreensão da eternidade, assumem aspectos tenebrosos e assustadores. Porém, quando olhados pelo prisma da eternidade, do trono do Deus Santo, e de sua majestade, poder e domínio sobre todo o universo, tudo passa a ter sentido e objetivo. vivamos tranquilos e em esperança.
Acima dos fatos da História está deus a dirigir todas as coisas até consumar sua vontade. Não temamos, portanto, porque a vitória é certa, mesmo que acontecimentos sombrios nos ameacem.
A verdadeira adoração a Deus consiste em duas atitudes fundamentais: reconhecimento e proclamação da glória de Deus e completa submissão a ele. Louvor sem submissão é lisonja, e não agrada a Deus. Os anciãos se submetiam a Deus depositando aos seus pés suas coroas. Depositemos aos pés de Deus o que somos e o que temos.
Jesus é o leão e o cordeiro. Tem a força e a majestade do primeiro e a humildade, mansidão e submissão do segundo. Na segunda qualidade que repousa o segredo da primeira. Jesus quer que seja assim também com todos os seus servos. Que nossa força seja espiritual, resultante de nossa humildade, mansidão e submissão incondicional às vontade de Deus.
Encerrando
'Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas e por tua vontade são e foram criadas' (Apocalipse 4:11). Só Deus tem o direito de receber o reconhecimento de glória, honra e poder, porque ele é o Criador e o Sustentador de tudo o que existe. Ele é o único Soberano do Universo. Por isso o primeiro mandamento da lei de Deus manda não ter outros deuses diante dele. adorar a outros seres, reais, ou imaginários, como os romanos adoravam ao imperador, é blasfêmia; adorar à imagens, mesmo que de realidades celestiais, é idolatria. Adoremos a Deus em espírito e verdade, e sejamos ousados em combater com o evangelho a idolatria e as blasfêmias das religiões de nossos dias.
Finalizando
Que Deus continue nos ajudando e nos abençoando!
Que a Graça, a Paz e a Misericórdia de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; que o Grande, Eterno, Infinito e Sublime Amor de Deus Pai; e, que a as Consolações, o Conforto, a Comunhão e o Poder do Espírito Santo, sejam com todos, hoje, sempre, eternamente! Amém!
Pastor Elcy França









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