Há algumas semanas atrás senti vontade de fazer uma visita a uma igreja evangélica existente aqui em minha cidade. Já fazia algum tempo que eu desejava fazer tal visita, porém sempre faltava a oportunidade. Não declinarei aqui o nome da denominação, por motivos éticos.
Pois bem, qual não foi minha surpresa quando para o culto vespertino de domingo apareceram apenas seis pessoas: o pastor, sua esposa, sua filha, um recém-convertido, uma senhora, membro da igreja e eu, o visitante. Oportuno mencionar que o pastor e sua família moravam numa casa existente no terreno da igreja e o tempo colaborava, pois não chovia. Meu espanto se deveu ao fato de o templo ser bastante amplo e suficiente para comportar dezenas e dezenas de pessoas. A cidade em que resido e onde ficava esta igreja é um campo fértil para o cristianismo, pois conta com dezenas de igrejas evangélicas, das mais diferentes denominações. A pessoa sempre irá encontrar uma ou mais igrejas próximas à sua casa.
Então, o culto começou. Após algumas orações proferidas pelo pastor, sua esposa e sua filha, em revezamento, as quais soaram num tom tão inaudível que não consegui entender o conteúdo das mesmas (como dizer ao final o “Amém”?), foram entoados alguns hinos, com um fundo musical produzido por guitarra, a qual era tocada pelo próprio pastor (e como vocês devem imaginar, ele não tinha grandes pendores musicais...). Completando isto tudo, um sermão vazio, que não disse a que veio. Não quero fazer julgamentos, mas não posso deixar de expressar o que senti naquela ocasião. O culto é para Deus e Ele é quem deve gostar ou não do mesmo. Porém, é certo que sai daquele culto mais triste, mais desanimado, mais empobrecido do que quando entrei.
Durante minha conversa com o pastor daquela igreja antes do culto, o mesmo mencionou que a freqüência aos cultos era pequena, pois muitos membros moravam longe do templo e ademais a cidade era um território inóspito para o evangelho, o povo era de coração duro, de modo que não era fácil fazer novos conversos. Vamos refletir juntos sobre isso? Como podia aquele pastor dizer que o povo era duro de coração se centenas de milhares já haviam aceitado a Cristo e estavam congregando nas diversas denominações existentes na cidade? Ao mesmo tempo em que aquele templo estava vazio, havia inúmeros outros que estavam lotados. Pense também: morar longe do templo é desculpa para alguém faltar aos cultos com freqüência? Creio que não. Se você morar longe do local onde está empregado, vai por causa disso faltar ao trabalho? Em absoluto! Você pega um ônibus, vai de bicicleta, vai a pé, mas vai... Por quê? Porque não quer correr o risco de ficar desempregado. Mas que dizer do risco de perder o favor de Deus? Não é algo muito mais sério? A Bíblia nos alerta em Hebreus 10:25: “Não descuidemos de nossos deveres na igreja, nem das suas reuniões, como algumas pessoas fazem”.
Na minha visão, o problema central se encontrava na atitude predominante do próprio pastor daquela igreja. Uma atitude pessimista, negativa, derrotista. Mesmo que o território fosse inóspito ao Evangelho (e já mencionei que não o é) temos que nos lembrar de que ‘um planta, outro rega, mas é Deus quem faz crescer’ (1 Co 3:5-9). Nosso trabalho é plantar e regar e deixar o resultado nas mãos de Deus. Lembremo-nos também de que em Cristo “somos mais que vencedores” (Rm 8:37). Ademais, Jesus nos garante: “Pois ninguém pode vir a mim, a não ser que o Pai, que me enviou, traga a pessoa a mim” (Jo 6:44). Assim, fazemos a nossa parte com otimismo e Deus atrairá a Cristo aqueles a quem Ele desejar. Lembremo-nos também de que a “fé não é de todos” (2 Ts 3:2).
Outra coisa a se destacar é o preparo daqueles que assumem a liderança. Muitos não têm a formação teológica necessária, ou num português mais simples, não conhecem a Bíblia mesmo! Apenas acham que a conhecem. Assim, a mensagem que pregam do púlpito é pobre, não motiva, não encoraja, não ensina. Servindo uma alimentação espiritual tão pobre assim, como os membros se sentirão encorajados a fazer esforços para comparecerem aos cultos? Como os incrédulos se sentirão tocados para aceitarem a Cristo como seu Salvador? Como se farão novos conversos? Não há progresso, não há crescimento espiritual, a igreja tornou-se literalmente uma igreja morta. Faz lembrar aquela igreja mencionada em Apocalipse, a Igreja de Sardes, sobre quem Jesus disse: “Eu conheço a sua fama de igreja viva e ativa, mas você está morta” (Ap 3:1).
O que cada um de nós pode fazer para reverter uma situação assim? A oração é a primeira atitude a ser tomada. Expor a situação a Deus, procurar sua ajuda e sua benção. Ademais, precisamos todos nós, especialmente os que lideram nas igrejas, conhecer bem as Escrituras Sagradas. Ouçamos o conselho bíblico: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade” (2 Tm 2:15, NVI). Assim, leia a Bíblia, estude, pesquise. Se necessário faça cursos. Leia bons livros evangélicos e revistas cristãs. Pesquise em sites na Internet. Busque a ajuda de cristãos mais preparados.
Cada um de nós pode e deve fazer a sua parte para tornar a igreja que freqüentamos uma congregação animada, viva e cheia de alegria e do poder de Deus e isto faremos, seguindo de perto as pisadas de nosso Líder Maior, o Cabeça da Igreja, Cristo Jesus!
Textos bíblicos extraídos de “A Bíblia Viva” da Editora Mundo Cristão, a menos que haja outra indicação.