'Então, Pedro e os demais Apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.' Atos 5:29
Quando, respondendo a uma cilada dos fariseus, Jesus disse "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Lc 20:25), Jesus definiu, claramente, que o cristão tem responsabilidades de duas naturezas: espirituais (para com Deus) e civis (para com o Estado).
Nesta mensagem pretendemos abordar as responsabilidades civis do cristão e, ao mesmo tempo, chamar a atenção do povo de Deus para a necessidade de ser fiel a Deus quando porventura, as autoridades constituídas, fugindo de suas finalidades, fizerem exigências que firam nossa consciência de servos de Deus. Quando se chocam, quando se conflitam, a vontade de Deus e a vontade dos homens, a vontade de Deus deve ser posta em primeiro lugar.
Romanos 13:
01. Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
02. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
03. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer as autoridades? Faze o bem e terás o louvor delas,
04. visto que a autoridade é ministro de Deus para o bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
05. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.
06. Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço.
07. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
I Pedro 4:
12. Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo;
13. pelo contrtário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.
14. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus.
15. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem;
16. mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.
O ESPÍRITO DE AUTORIDADE É DIVINO
As "Testemunhas de Jeová" combatem as instituições civís das nações como sendo de origem diabólica, daí aconselharem que se não deve votar, nem registrar filhos, nem prestar serviço militar, nem prestar juramento à bandeira, etc. As "Testemunhas de Jeová", pregam, assim, a desordem, o desacato, o desrespeito e a anarquia. A Bíblia, entretanto, ensina claramente que as autoridades (chamadas também de potestades) são instituídas por Deus com o fim de preservar a ordem, a moral e a justiça, para que o homem, em sua vida de sociedade organizada, não desande por caminhos que venham a prejudicar os direitos e a paz de cada um, individualmente, e da coletividade (Rm 13:1-5).
Não se deve entender, porém, que Deus tenha instituído determinadas pessoas, mas sim o princípio de governo e de autoridade cujos fins estão mencionados nos vs 3 e 4 de Romanos capítulo 13. Quando pessoas corruptas alcançam o poder, pervertem a instituição de Deus, contribuindo para a injustiça, a violência, a exploração, a desordem e a corrupção. Tornam-se, às vezes, terror para os que fazem o bem, como Nero, Domiciano, os estados a serviço da Igreja Romana, durante a Inquisição, Hitler, Saddam Hussein, os ditadores, e outros. Claro está que tais homens não merecem a aprovação de Deus e nem a nossa.
RESPONSABILIDADES CIVÍS DOS CRISTÃOS
Reconhecido que o princípio de governo e da autoridade provém de Deus, fica estabelecido que os cristãos, ao invés de insubordinarem-se devem ser, ao contrário, os melhores cidadãos. E quais são seus deveres?
01. Responsabilidade de sujeição (Rm 13:1-5). O cristão deve obediência às autoridades de sua pátria. Essa obediência não se deve originar do temor a elas, mas sim da própria consciência, que reconhece ser a obediência a elas da vontade de Deus. Essa mesma verdade está também registrada em Tito 3:1 e I Pe 2:13,14.
02. Responsabilidade de honrar (Rm 13:7). A honra que se deve às autoridades é o respeito, a dignificação, o enobrecimento das autoridades por todos os cristãos. É pecado o trato desdenhoso, zombeteiro, de deboche e de desprestígio para com as autoridades, mesmo que elas não sejam de correntes políticas de nosso agrado.
03. Responsabilidade de pagar impostos (Rm 13:7).
Vejamos também Lc 20:
19 Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos, pois perceberam que, em referência a eles, dissera esta parábola; mas temiam o povo.
20 Observando-o, subornaram emissários que se fingiam de justos para verem se o apanhavam em alguma palavra, a fim de entregá-lo à jurisdição e à autoridade do governador.
21 Então, o consultaram, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente e não te deixas levar de respeitos humanos, porém ensinas o caminho de Deus segundo a verdade;
22 é lícito pagar tributo a César ou não?
23 Mas Jesus, percebendo-lhes o ardil, respondeu:
24 Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição? Prontamente disseram: De César. Então, lhes recomendou Jesus:
25 Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
26 Não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, admirados da sua resposta, calaram-se.
Os impostos visam ao sustento das próprias autoridades e, portanto, à manutenção de seus serviços e ao bem geral da coletividade. Pagamos impostos e recebemos escolas, calçamento e saneamento de ruas, postos de saúde, policiamento, garantias jurídicas, proteção militar, etc... etc... etc... O cristão deve contribuir com seus impostos alegremente.
04. Responsabilidade de orar. Esta responsabilidade não está no texto da mensagem, mas podemos encontrá-la em I Tm 2: '1 Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, 2 em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. 3 Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, 4 o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. 5 Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, 6 o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos. 7 Para isto fui designado pregador e apóstolo ( afirmo a verdade, não minto ), mestre dos gentios na fé e na verdade. 8 Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.'
Não basta obedecer, honrar, pagar impostos. Deus quer que oremos pelas autoridades. Muito podemos cooperar com os homens públicos se por eles orarmos.
05. Responsabilidade de participar. A democracia abre para os cristãos a oportunidade de participarem diretamente dos governos. A responsabilidade do cristão vai além da responsabilidade de votar bem. O cristão deve, mesmo, procurar ocupar lugares públicos elevados. É legítima a participção do cristão na política.
UMA RESSALVA
O cristão precisa colocar sua fidelidade a Deus acima de qualquer outra responsabilidade. Sua obrigação de obedecer aos homens só vai até quando eles estiverem dentro de suas funções e não invadirem o terreno da fé. O profeta Daniel desobedeceu ao rei quando esse deu ordem de que ninguém orasse a qualquer deus (Daniel 6:10). Os Apóstolos, admoestados severamente, a não ensinarem mais sobre Jesus, continuaram a ensinar, e ainda deram, diante das autoridades testemunho de fidelidade a Deus e ousadia, dizendo-lhes importar antes obedecer a Deus que aos homens (Atos 5:29). Se sofremos pela nossa fidelidade, regozijemo-nos. É desonroso, alguém sofrer nas mãos das autoridades por algum delito, mas é glorioso sofrer pelo testemunho da nossa fé.
FINALIZANDO
O Cristão deve ser sempre um bom cidadão. Sendo-o, estará dando demonstração do valor do Evangelho na vida do ser humano.
É pecado o tratamento desonroso que muitos usam ao se referirem às autoridades. Anedotas, zombarias, xingamentos, são naturais para o mundo, mas não para o cristão, que deve obedecer e honrar as autoridades.
Embora seja lícita a participação do cristão na política de seu país, não esqueçamos de que a nossa principal missão é a pregação do Evangelho para a salvação dos pecadores.
A finalidade espiritual da obediência às autoridades, do cumprimento dos deveres civis, é taparmos a bôca dos ignorantes que falam mal do Evangelho (I Pe 2:15). O cristão que é mau cidadão realmente dá péssimo testemunho de sua fé.
O cristão não pode ser revolucionário. Isso não quer dizer que se acomode à maldade e à injustiça. Pelo contrário, ele tem um dever a cumprir: pregar contra o mal dando sua própria vida por Cristo, se necessário fôr. É cristão alguém se deixar matar por pregar contra a injustiça. Tenhamos cuidado com a pregação arrogante, odiosa, violenta, e anti-bíblica.
"Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Lc 20:25). Aí está o equilíbrio que deve ter o cristão: nunca um fanático desobediente. Nunca um apóstota subserviente ao Estado, mas um servo consciente, capaz de pagar com a vida a fidelidade a Deus, e incapaz de lesar, ao mesmo tempo, os direitos do Estado.
Que Deus continue nos ajudando e abençoando!
Que a Graça, a Paz e a Misericórdia do Senhor e Salvador Jesus Cristo; que o Grande, Eterno, Infinito e Sublime Amor de Deus; e que as Consolações, o Conforto e o Poder do Espírito Santo, sejam com todos, hoje, sempre e eternamente! Amém!
Pastor Elcy França